Um Talvez Cético
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Som ɸ
Vulgar Débil ƕ
Entre os que nascem e morrem anônimos

O Homem, graças ao seu pacote sutil de valores - carregado bravamente durante toda a sua brevidade, e passado de mãos em mãos -, ainda preserva seu orgulho.

Apesar dos descompassos, ainda se acredita em certezas, ilusão esta criada para suprir todo o desconhecido. Não existem verdades e, teimosamente, insistimos em nossos erros, em cegueira voluntária.

Abrindo-se os olhos, nada ainda é visto. O medo da ignorância é doloroso, mas a sua aceitação seria libertadora. Mas, afinal, quem deseja a liberdade?

A leveza de cada passo se perde entre tantos e tantos obstáculos. A humanidade em nada se facilita, e tudo pinta em cores de hipocrisia.

Ainda há, em algum lugar, ar puro para se respirar? A falácia tendenciosa em cada pensamento de resistência: a filosofia que nunca existiu.

O que se pretende com tudo isso? Algo a mais entre os que nascem e morrem anônimos.
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A questão é que sei o que não quero, e me recuso a abrir mão. Todos esses sufocantes delírios que me tiram da minha rotina de mim, apenas para me deixar estupefato, cara a cara com o absurdo da minha tão insignificante vida.

A existência dos outros também não deixa de ser insignificante, mas significam para mim.

Eu não seria nada sem estes injustos espasmos emocionais; por que não amá-los de uma vez?

A aceitação é o doloroso processo de relaxamento, de me expressar em 'papel'. O clinâmen de pensamentos e afetos não me choca. O que me espanta é o seu poder, fluindo diretamente de mim, do Eu.

Flutuando sobre suaves impressões e agressivas afirmações inválidas. Eu tento me embriagar deste néctar azedo, beber do leite que brota do chão, mas em conclusão, essas atitudes nada mais são do que um teatro mais barato que qualquer outro.

Deixo todos os meus fundamentos guardados, e sigo nu frente a cada encruzilhada, na qual sempre escolho os dois lados. O simples querer me basta, mas somente me livro da cegueira após cada decepção, para, lentamente, perder a visão de novo.

A explosão é iminente, porém, diariamente adiada.

"Entre o passo e a consequência... sou eu...".
A visibilidade é uma armadilha

O visível é controlável. O punível não é integrante. Estigma, cada um com o seu. Os pássaros já não voam, o vento já não sopra com liberdade. Venta-se por obrigação. Vende-se à vontade.

As ondas são cada vez mais parecidas, e cada vez mais cheias-de-si. Me pergunto qual a real finalidade do humanismo. Toda autonomia consolidada, que não é nada além de covardia disfarçada. Não há mais pedras na areia. Tudo agora flui. Fluiu. Viu. De repente, viu que não ultrapassaria o cinza de sua vida, então esforçou-se para se tornar daltônico.

Recordou-se de Sísifo, e sorriu.

Há quem evite perguntas, há quem evite respostas. O contínuo é confortável, é real.

Há quem glorifique tábuas, há quem glorifique insensatez. Apenas sei glorificar a mim mesmo, até a mais vil estupidez.

Antes de mais nada, e ainda depois de tudo, reinará o silêncio. Silêncio agora. N e s t a s l i n h a s. Vácuo. S i l ê n c i o. Atemporal. Antimaterial. Elucidação total de todas as suas lacunas. Os e s p a ç o s entre as palavras. Silêncio. Silêncio.

Então, um relâmpago Ф salvador. Uma mensagem sacrílega e antinarcísica surge para desanuviar.

Pergunta-se: qual a sua fonte? Real natureza de todas as interrogações? Elipse infindável de ecos insignificantes. Inerte. O vigilante e o vigiado são a única face da moeda.

Perdeu-se facilmente entre todos os pulsos e fluidos.
LACUNA


Lack of habituation, lack of sensibility. Actually, the total loss of all senses that come to me.

Bewilderment of every ground. The pressure blowing gently into my eyes. I need to shut them off.

I barely can open my mouth when I see The Dream collapsed on the floor. Can you help me to increase my suffering a little more?

Nefarious indecision, playing with my marionette skull.

Refuse to move, to walk. I do refuse, basically, to have this stupid organic body, cursed to end up rotten on the gutter.
Um dia após outro dia

Buscando incessantemente meus fantasmas - gosto de assombrações. Nos encontramos sempre acidentalmente, nos perdemos inutilmente.

A passagem dos dias não é constante e quem confia no tempo está sempre perdido.

Os diálogos insuficientes, porém, necessários, não criam contanto algum. Prezo por mais relações não-verbais – menos pretensão, se não... Se não tudo se perde no perverso rumo do verdadeiro e falso.

A contagem dos segundos é ilusória, e a espera é de um momento que já existiu. Seus pensamentos não funcionam da mesma forma em um plano futuro. Você deixa de ser.
Realidade palpável? E o que a confirma? Seus sentidos?
Mas o que é mesmo tudo isso?

Ah! Se eu pudesse fazer entender apenas com um olhar – um relance bastaria para te fazer parar, tornar o movimento inexistente e a tartaruga sempre vencedora.

Que sentimento nos inibe de gritar contra toda solidão? Há sempre algo a mais a ser combatido.

Nada como um dia após o outro. O desconhecimento vem em parcelas. A inextinguível vontade de se fazer esquecer.
Contra sensu: aqui estou, a escrever essas pretensas e sinceras linhas.